O medo de aviões é algo comum entre muitas pessoas, isso porque muitos não entendem como essa máquina, resultado do avanço da engenharia, funciona.
Os gigantes do céu, que transportam milhões de pessoas todos os dias, possuem uma tecnologia muito avançada por trás de seu funcionamento e passam por uma sequência de testes intensos antes de serem aprovados para o uso no mercado. Além disso, eles não dependem apenas do motor para realizar os voos. Então vamos entender o porquê os aviões não caem quando o seu motor falha e o que os mantém no ar?
Muitos já se perguntaram como um objeto de grandes dimensões e peso erguem-se do chão e se mantêm em pleno ar, enquanto as pessoas, com tamanho e peso infinitamente inferiores não voam. Bom, a explicação para isso é física e aerodinâmica. O conjunto de forças atuantes no avião, a forma e angulação das suas estruturas combinadas, permitem que esse saia do chão e permaneça no ar.
Primeiro, vamos entender cada uma das forças e como elas afetam o movimento do avião. A força peso, causada pela ação da gravidade, puxa o avião em direção ao centro da terra e contra o movimento do voo, então em contraposição, é necessário uma força que empurra o avião para cima, sendo esta a força de sustentação. Mas como ela surge? O formato da asa da aeronave, curva em cima e mais plana embaixo, faz com que o fluxo de ar gere uma diferença de pressão nas superfícies superior e inferior pressão, responsável por manter o avião no ar.
Além dessas forças verticais, há também as forças de arrasto e tração, sendo responsável por gerar resistência em um objeto tentando se mover e impulsionar o objeto para frente, respectivamente. A tração é gerada por propulsores ou até por hélices.
Mas como isso se relaciona à falhas no motor?
Agora, sabendo como um avião voa, vamos entender como ele permanece no ar mesmo sem motor. É importante pontuar que o papel do motor no avião é gerar força de tração, relacionada ao movimento horizontal. Ou seja, quando esse falha, a aeronave continua tendo a força de sustentação, relacionada diretamente a sua forma aerodinâmica. Dessa maneira, ele continua no ar, apenas com a velocidade que já possuía, desde que seja suficiente para entrar em voo planado.
Nesse tipo de voo, o avião utiliza a energia da altitude para continuar avançando enquanto perde altura de forma gradual.
Durante o planeio, as asas continuam gerando sustentação graças ao fluxo de ar provocado pela própria velocidade da aeronave. O piloto ajusta a velocidade para a condição de melhor planeio, permitindo percorrer a maior distância possível até um local adequado para o pouso.
A eficiência desse planeio depende do projeto da aeronave. Aviões comerciais modernos apresentam uma excelente razão de planeio, sendo capazes de percorrer dezenas de quilômetros sem a necessidade da potência dos motores. Isso permite que a equipe realize um pouso seguro sob as condições daquele voo.
A possibilidade de falha de um motor é considerada desde a fase de projeto de uma aeronave. Por isso, fabricantes e órgãos reguladores estabelecem rigorosos requisitos de segurança para garantir que os aviões consigam operar mesmo diante desse tipo de ocorrência.
Além de passarem por diversos testes antes de entrarem em serviço, as aeronaves contam com sistemas redundantes e são certificadas para atender elevados padrões de segurança. Os pilotos também recebem treinamento específico em simuladores para lidar com situações de emergência, incluindo falhas parciais ou totais dos motores.
No caso dos aviões comerciais equipados com dois motores, por exemplo, eles são projetados para continuar voando com apenas um motor em funcionamento, caso seja necessário. Mesmo em situações mais críticas, nas quais ambos os motores deixam de fornecer potência, a aeronave ainda pode realizar um voo planado até um local apropriado para o pouso.
A história da aviação possui diversos exemplos que demonstram como a engenharia e o treinamento das tripulações são fundamentais para a segurança dos voos.
Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2009, com o voo US Airways 1549. Poucos minutos após a decolagem, um impacto com aves provocou a perda de potência dos dois motores. Utilizando as características de planeio da aeronave e os procedimentos de emergência, o comandante Chesley “Sully” Sullenberger realizou um pouso de emergência no Rio Hudson, em Nova York. Todos os 155 ocupantes sobreviveram.
Outro exemplo é o Air Transat 236, em 2001. Após um vazamento de combustível, o Airbus A330 perdeu completamente a potência dos motores e conseguiu planar por aproximadamente 120 quilômetros até pousar com segurança na Base Aérea das Lajes, nos Açores.
Esses casos mostram que, embora uma falha de motor seja uma situação séria, ela não significa queda imediata do avião. Graças aos princípios da aerodinâmica, ao projeto das aeronaves e ao treinamento das tripulações, é possível controlar o voo e realizar procedimentos que aumentam significativamente a segurança dos passageiros.
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